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TUDO AVULSO

Acontece-me... Por inspiração... transpiração... ou porque me apetece...

TUDO AVULSO

Acontece-me... Por inspiração... transpiração... ou porque me apetece...

25
Out17

Se dormires comigo até ser grande, dou-te umas meias

Mariali

Há dias da semana que nunca mais serão os mesmos. Por exemplo: as terças e as quartas.

Quatro semanas já passaram. Quatro terças e quatro quartas-feiras... Ainda me parece impossível.

Nessa terça-feira, estive toda a tarde no hospital a fazer-lhe companhia. Não arranjava posição e custava-lhe mexer as pernas. Apenas os braços gesticulavam. Estavam longos e suas mãos eram lindas. Deitou-se de lado, tocou minhas mãos, e assim estivemos uns momentos. Beijei-as e acariciei-as. Sorria para ele, fazia de conta que tudo iria ficar bem. Todos os ossos bem visíveis sobressaíam, em relevo, só a camada de pele os cobria, os olhos fundos, mas bonitos e meigos... Pediu lenços de papel e água, com lucidez e bem desenrascado, como sempre fora. Depois, a enfermeira aproximou-se, era jovem, séria e antipática, injectou-o e foi-se, e ele não mais foi o mesmo. Olhar distante, vazio, parecia nem saber que ali estávamos.

Eu não sabia que aqueles momentos de troca de carinho, seriam os últimos. 

No dia seguinte, preparava-me para ir ao hospital, de manhã, mas a notícia chegou. Morreu.

Culpei a enfermeira, os médicos. E eu não estive lá, para o ajudar a molhar os lábios, dar-lhe os lenços, mudar-lhe a posição das pernas... Mataram-no, era só o que conseguia dizer.

Há muito tempo, quando eu saí de casa para estudar no 1º. ciclo, ele teria uns 3 anos. Durante quase uma semana, não conseguia dormir e chorava, pois, estava habituado a ser o meu companheiro de quarto. Quando acalmou e aceitou aquela mudança, dizia a meus pais e irmãos que, se eu dormisse com ele até ser grande, me daria umas meias.

Foi difícil ver meu pai partir. Foi difícil ver minha mãe partir. Agora, um dos meus irmãos, dos mais novos, o que cuidou de minha mãe, devido à doença de alzheimer, até ao último momento, está ser a fase mais difícil da minha vida. Eu sei que tudo acaba, mas por favor, fazei-me mais capaz, mais preparada para enfrentar estes momentos.

 

18
Out17

Há limites...

Mariali

Uma parte da obra maravilhosa que nos foi emprestada. E que tanto temos descuidado. A floresta, o mar, a água potável...

Os incêndios. Os plásticos no mar. Os pesticidas... Todos somos culpados.

Todos morremos. Uns, com grande tristeza, apanhados, assim, de repente. Outros, aos poucos, vão deixando contagiar-se, devido à inércia, ou à falta de sabedoria, ignorância, ou porque "deixam para lá"...

"Onde há fumo, há fogo". Os sinos tocavam e, os que podiam, largavam seus trabalhos e corriam para o local, para ajudar a apagar o início do incêndio, antes que fosse tarde demais. 

Agora, no tempo das tecnologias, parece que tudo é mais longe, mais complicado. Desresponsabilizamo-nos. Fechamos olhos, ouvidos, boca e, na hora de apontar o dedo, lá estamos empenhados, usando toda a força e todos os sentidos.

Quando todos cumprirmos nossos deveres e obrigações, cada qual com a sua quota parte, os resultados serão menos ruidosos, mais imediatos, bem sucedidos...

Haja ensinamento. Haja aprendizagem.

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10
Out17

Será ou não será?

Mariali

Como um turbilhão de sentimentos me bloqueia e embaraça o fluir de palavras, pois, é difícil aceitar o que todos sabemos ter por certo- a morte. Então, nos meus rascunhos, encontrei este texto de há pouco mais de um mês...

 

A vida é tão curta que não vale a pena andar a embirrar por tudo e por nada. Ou sim, vale a pena embirrar por tudo e por nada, se estivermos cheios de razão. O importante é não ficar a bater na mesma tecla em demasia.

Há pouco tempo, fiz anos de casada e uma sobrinha do meu marido perguntou-me:- Então, tia, como te sentes ao fim de todos estes anos?!

Espontaneamente, respondo:- Olha, sinto que a pessoa que casou naquele tempo, não era eu. De verdade, não me consigo associar... 

Uma risada geral, pois, estávamos numa festa de família. Não quis dizer mais do que o que dissera. Acontece que comecei a distanciar-me de certas épocas, de alguns acontecimentos. Desde criança até agora, há tempos que passaram a remotos, outros há que habitam em mim por todo o sempre.

Será assim com toda a gente, e terá algum significado?!

Será por muitos dos meus sonhos não se terem concretizado?!

Ou então, confundimo-nos, baralhamo-nos, e não sabemos crescer enquanto andamos por cá?...

Concluo com um pensamento que está gravado numa das paredes de um pequeno barraco, de cimento, perto do mar, e que me obrigou, no tempo de praia a ler, a reler e a refletir a todo o instante:  "a imaginação é a vossa maior doença".

 

 

02
Out17

O Outono também anuncia

Mariali

E foi aquele entardecer, junto ao mar, que me alertou da proximidade do Outono. Observando o horizonte e, a passos largos,  em oração, senti os que partiram. Melhor, visualizei-os... Que saudade, que vontade de os ter do lado de cá, comigo, a assistirem ao espectáculo. Belo! O mar silencioso e de brilho prateado, a doçura nos tons das nuvens, a lua...

Algum dia teriam assistido? Talvez, sim... Os nasceres e pores do sol, no campo, também são mágicos.

Apeteceu-me deixar o mar, e correr para o interior, pegar em meu irmão,( nove anos mais novo que eu), e, antes que fosse tarde, pela última vez, proporcionar-lhe tal visão, como a que eu tive. Como me apetecia... Seria uma das suas vontades? Fiquei sem saber.

Prometo, ainda neste Outono e, depois, em todas as outras estações, sempre, quando voltar ao mar, vou reparar no horizonte, e ver se o encontro. Entre o pai e a mãe, lá, fazendo parte do belo, acima da linha do mar, na doçura dos tons das nuvens, e a lua... Depois do sol posto.

Até lá, saudades.

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