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TUDO AVULSO

Acontece-me... Por inspiração... transpiração... ou porque me apetece...

TUDO AVULSO

Acontece-me... Por inspiração... transpiração... ou porque me apetece...

20
Jul18

Olhares

MariaLi

Cada um de nós vê o mundo com os olhos que tem, e os olhos veem o que querem,

os olhos fazem a diversidade do mundo e fabricam as maravilhas, ainda que sejam de pedra,

e altas proas, ainda que sejam de  ilusão.

                                                                              José Saramago

 

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 *foto de smartphone

01
Jul18

Catarse, será?

MariaLi

O tempo passa devagar. A cada passo, recordo o que acontecia há um ano: muita esperança misturada de desespero, tristeza.

Nunca gostei de sentir esperança.

Percorríamos muitos quilómetros para tornar mais leve a doença, para diminuir despesas e cansaço, para não desperdiçar tempo... Íamos intercalando na ajuda.

 

No princípio, houve muito desânimo. Recostado no assento inclinado para trás, olhos fechados, quase não se segurava, nem falava. Assim era cada dia, cada viagem.

A radioterapia e a quimioterapia terminaram e ele já sentia melhoras, mais peso, mais ânimo. Até ligou-me, depois de o termos deixado em casa, a agradecer o que fizemos e, também, satisfeito por não ter havido percalços...

 

Pausa.

 

Segunda fase de tratamentos. Pleno Verão. Os tratamentos não resultavam. Os mais lúcidos, logo perceberam para onde ele caminhava. Eu não quis entender e ele também não. Esperança. A tal esperança que não gosto de sentir... Tudo foi um passatempo, um entretenimento.

 

Mais novo nove anos que eu, o meu menino, o meu protegido, diziam. Em famílias grandes, os irmãos mais velhos têm sempre um protegido. Ou um aliado. Nos jogos, na entreajuda, nas quezílias...

 

E em Setembro, deixou-nos. Há pouco, ele tinha cuidado da mãe. Ela também tinha partido uns mesitos antes. 

 

Estes dias, recordo-o em todos os espaços onde estou. No campo. Na praia. Nas nuvens... Apesar do esforço presente no dia a dia: pensar e imaginar, o mínimo possível.

 

Outros dias e outras partidas se seguirão. É assim em famílias grandes.

 

*Uma frase que somos obrigados a ler, se frequentarmos esta praia:

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22
Jun18

Ooops!

MariaLi

Oh!... Peço desculpa...

Não é arrogância, nem qualquer coisinha má que possa transparecer. Sempre que fazem um link ao meu blogue, porque sou nomeada para participar com um post, eu quebro a corrente.

Perdida no meio de um turbilhão... Enfrento, de imediato, carradas de razão e afazeres... A sério!

O meu cérebro começa a borbulhar e...

Ooops! Amnésia acompanhada de náuseas.

Depois tudo passa.

 

 

*ilustração do texto :) 

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07
Jun18

Uma espreitadela ao baú

MariaLi

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* na mais recente viagem, encontrei esta mala

 

 Há pouco, encontrei este objecto abandonado. E, ao vasculhar no baú de memórias adormecidas, reli uma historiazinha idêntica a muitas que existem por aí. Com certeza.

 

Há muito, muito tempo... Era uma vez...

 

Ela passava pelo tempo (ou o tempo por ela?) em correria desenfreada, atropelando-se em acontecimentos inesperados, conseguindo enganar gripes, constipações e, ainda mais grave, a si mesma.

Um dia, a filha mais pequenina adoeceu e ficou uns dias em casa.

Observava fotos de seus pais em casamentos e outras festas. De repente, iniciou um choro contínuo. Dizia que queria a mãe, que ela estava triste, que o pai estava a sorrir... Lá, nas fotografias.

Para convencê-la de que não era verdade... Que eram só fotos... Parece que demorou algum tempo.

 

Então, aconteceu algo. Pequenino, em comparação com a agitação dos primeiros anos de casados. Clarificaram um pedacinho do modo de vida. Abaixo a hipocrisia!

Participar em eventos, juntos, sim, quando os dois eram parte desse acontecimento (de familiares e amigos). Não por ela ser esposa de Fulano ou ele ser marido de Cicrana.

 

Assim, foi dado um pequeno passo na liberdade individual, e um grande passo na liberdade do casal. 

 

E alguns registos fotográficos passaram a ser mais autênticos. :)

 

15
Mai18

Porque sim...

MariaLi

A cidade que adoptei, desde a mudança de estado civil, e já lá vão décadas, apesar de ser histórica, limpa e arrumada, pouco me tenho debruçado sobre ela, aqui, neste meu sítio. Porque, geralmente, uso fotos do campo, de viagens... E, também, porque prefiro ficar no meu cantinho sem grande publicidade.

Colhi flores espontâneas. No jardim, havia roseiras floridas, e, ainda, algumas camélias, lindas.

Uns dias por Lisboa, também . Pela 1ª. vez fui à feira da ladra; uma das minhas filhas insistiu em explorar o espaço e fazer algumas compras. Gostei. Almoçámos por lá. Sensação cosmopolita :) .  Nesse restaurante, falavam inglês, por mais que tentássemos expressar a nossa língua. No hotel, vigilância apertada, devido ao eurofestival...

Simpáticos. Calor humano. Gosto de Lisboa. Gosto da minha cidade. Gosto do campo...

Gosto da lua, de fotografia, pintura, caminhadas, viagens...

Gosto porque me faz bem. ;)

 

 

*pelo campo, colhi flores espontâneas 

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*por Lisboa

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05
Mai18

Palavras à deriva

MariaLi

Hoje, apetece-me sentir que a fé e a esperança são coisas que nos iludem. Coisas que nós sabemos que estão aquém daquilo que desejamos. Porque não conseguimos parar o desenrolar dos acontecimentos. O que pensamos ou pretendemos não tem qualquer força, efeito, nem poder para estancar o enrodilhar da vida. Apenas resta-nos aceitar esse acontecer.

 

Envolvia-nos nas tarefas e, como em um ritual, participávamos, atentos, curiosos... 

Era a passagem do seu legado.  Na nossa ingenuidade, apreendíamos os seus gestos, a sua destreza, habilidade, conhecimento...

Gosto de a imitar. Sei que a minha marmelada, as iguarias de natal, e, principalmente, a força e o estímulo não se comparam...

 

Amanhã, prometo não esquecer um ingrediente tão completo e tão eficaz que, dizem, é a cura para muitos males da sociedade de hoje - resiliência. 

 

 

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 *as flores das árvores de fruto são muito especiais...

 

 

30
Abr18

Uns dias por Amesterdão

MariaLi

Há quem faça meditação para relaxar, desanuviar seus pensamentos, aclarar sua mente, pacificar-se...

Para já, ainda não consegui. Pois... Talvez, exija mais trabalho. Prefiro viajar, para mim, é mais fácil.

Fui com amigas. Éramos três mais um bebé de nove meses. Estão a imaginar...

Mas foi maravilhoso!

Amesterdão pareceu-me desarrumado, cinzento... Mas não, as bicicletas amontoadas junto aos passeios provocam confusão, mas foi só a primeira impressão. Depressa nos habituámos a elas.

Os edifícios perfilam imponentes, harmoniosos, de grandes janelas e portas, em tons acastanhado, tijolo, creme...

Os canais, os barcos, as pontes, os museus, o comércio...

Na sexta-feira, era feriado, festejavam o dia do Rei. Era "obrigatório" vestir qualquer peça de roupa ou adorno de cor laranja... De verdade, ficámos um pouco preocupadas, devido ao elemento mais novo. Mas tudo bem. Gente simpática, educada e bonita.

Seria por andarmos muito bem acompanhadas? :)

 

Além de visitarmos alguns museus, não podíamos deixar de observar, ao vivo, the tulips garden- Keukenhof, e, claro, também passeámos por Red Light District, à noite.

Adorei! Adorei!

 

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16
Mar18

Ele há coisas

MariaLi

Fazemos coisas tão extraordinárias, sem que nos apercebamos que, quando nos contam, estupefactos, ficamos, sei lá... Também estupefactos?!...

Na verdade, andava a sentir vertigens, sempre que colocava os óculos de sol.

Dirigi-me à loja que mos vendeu para que alguém encaixasse melhor uma das lentes, porque sentia-a um pouco solta.

O técnico, depois de examinar os óculos, dirigiu-se-me, de sorriso largo, enquanto me fixava e se esforçava por perceber como teria sido possível eu encaixar as lentes, mas ao contrário. Ou seja, a do lado esquerdo estava no lado direito e vice- versa.

Outros funcionários, mais afastados, viraram as cadeiras e espreitavam para me observarem ao pormenor, também eles com caras de espanto e um leve sorriso...

Se precisarem de uma funcionária para fazer o impossível... 😊 - Foi o que me saiu para disfarçar o meu constrangimento.

 

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