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TUDO AVULSO

Acontece-me... Por inspiração... transpiração... ou porque me apetece...

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12
Mai19

Motivos para festejar

Mariali

 

Não mais entrou pelos portões verdes do cemitério para visitar seus familiares.

 

Era o seu aniversário, ontem, 11 de Maio. Uma festa que só ela sabe organizar.

Subimos a Montanha- o Nariz do Mundo. Tudo a preceito. Tudo com requinte, apesar da distância dos grandes centros e da simplicidade do restaurante ...

Porque, da mala do carro,  saíram cestas de malvas, castiçais e velas brancas, caixinhas e dedicatórias. Poemas...

E a toalha de xadrez, como pano de fundo, só podia contrastar e reforçar o bom gosto da aniversariante.

 

Sem querer descrever discursos e presentes, ementa e sorrisos... Um ramo era segurado em suas mãos. Ela observava-o,  apontava aquela e aqueloutra- as pétalas-, nomeando o nome das flores. Encantada... São lindas! E sorriu para mim. Talvez, certificando-se se teria sido eu quem o comprara.

 

Regressámos. Sua mãe a seu lado. Debilitada, apesar da jovialidade que quer demonstrar. São 94 anos já feitos.

De repente, ela diz:- Não avisei o caseiro, este ramo era lindo para deixar aqui. Mas não consigo.

"Aqui", era o cemitério, por onde passávamos no momento.

 

Desde que o irmão morrera, havia 6 anos, nunca mais lá entrara. Deixou de os visitar. Pai, tia e esse seu irmão.

 

Prontamente nos oferecemos para levar o ramo de flores ao jazigo onde eles moram. Ela hesitou, a voz embaçou... Mas parou o carro.

 

Saímos, à pressa, eu e outra amiga, ambas, outrora,  amigas de seu irmão. Passámos os portões entreabertos. Ansiosas, procurámos os nomes e os rostos desbotados pelo tempo, e achámos.

Lindos, sem dúvida alguma. Substituímos a água suja do vaso e colocamos o ramo de flores, aquele que a fez sorrir, que a encantou... E que agora se juntou às pessoas mais queridas, que a viram nascer e crescer...

 

Quando entrámos no carro, ela soluçava, silenciosamente, não queria que sua mãe se apercebesse. -Tão lindos que eles estão, lá nas fotos- dissemos.

Outra amiga, a Maria Luísa dizia-lhe:- Decide-te. Vai lá. Acaba com esse sofrimento..

 

E elas foram. Eu, a mãe e a outra amiga deixámo-nos ficar.

O carro aquecia, elas demoravam. Saí e fui espreitar... saíam abraçadas, soluçando. Corri de braços abertos. Entrelaçámo-nos e chorámos, alto. Ninguém nos ouvia.

 

Só o irmão, lá encima, piscava o olho, e sorria, ao seu jeito. 

 

Pelo menos, que a força e a coragem permaneçam, sempre que os queira visitar...

 

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