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TUDO AVULSO

Acontece-me... Por inspiração... transpiração... ou porque me apetece...

TUDO AVULSO

Acontece-me... Por inspiração... transpiração... ou porque me apetece...

06
Nov18

Memórias- Para sempre Sophia

Mariali

 

Inventei a dança para me disfarçar.

Ébria de solidão eu quis viver.

E cobri de gestos a nudez da minha alma

Porque eu era semelhante às paisagens esperando

E ninguém me podia entender.

 

Sophia de Mello Breyner Andreson, in Coral, 1950

 

Foi a primeira mulher portuguesa a receber o mais importante galardão literário da língua portuguesa, Prémio Camões, em 1999.

 

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02
Nov18

Outras serras, outro entardecer

Mariali

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Nem sempre o que parece é. À primeira vista, parece ver-se o reflexo do sol a esconder-se no mar... Até pode haver interferência, mas os tons azulados que vislumbramos ao fundo, é o conjunto de ténues montanhas que se estende para lá de tudo, parecendo unir-se ao friso alaranjado do céu.

Na autoestrada, entre Terras de Basto e Fafe, na serra da Lameira, já anoitecia.

Com o carro em andamento, usufruímos do espectáculo.

E assim ficou o registo de mais um entardecer.

 

31
Out18

Olhando coisas simples assim

Mariali

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Um dia, fizeram a viagem da minha terra natal para este local, que era um pinhal, e que deixara de o ser.

As árvores (pinheiros) foram cortadas para que este espaço junto à nova casa/alpendre ficasse limpo, por causa dos incêndios e também para efectuar algum dinheirito.

Entretanto, nasceram, espontaneamente, um grupo de pinheirinhos bem ordenado, mais alguns carvalhos, castanheiros, giestas... E nós plantámos uma aveleira, mais carvalhos, azevinhos, um cedro, uma palmeira e dois medronheiros, os tais que viajaram da minha terra natal para este local. 

Já lá vão cinco, seis anos, talvez, eis um dos medronheiros e um cacho de medronhos.

 

Há histórias de vida tão simples a acontecer, e que nos deixam felizes, só precisamos de saber valorizar.

 

04
Out18

Em Outubro sê prudente (qb)

Mariali

No campo, por vezes, acontece um misto de tudo o que nos faz bem.

Beleza, envolvimento, prazer, satisfação. Não estivesse o campo mais ligado à vida, à realidade e simplicidade das coisas...

O céu como abrigo, noite e dia, cintilante e silencioso.

Mas desengane-se quem pensa que é só relaxar. Há sempre muito trabalho a fazer e a organizar. 

 

Lá diz o ditado, em Outubro sê prudente: guarda pão, guarda semente.

 

No nosso tempo, a oferta de mercado é tanta que já não necessitamos de ser assim tão prudentes. Por uma questão de economia e não gostando de desperdiçar aqueles produtos que têm menor durabilidade, dediquei-me a fazer compotas, concentrado de tomate e alguns congelados.

O resto está sendo guardado, naturalmente, de modo a conservar o máximo de tempo para ir sendo utilizado até às próximas colheitas...

 

Também é delicioso sentir estes sabores do campo pairarem pela cidade.

Devido ao post da Samantha, quero acrescentar. Principalmente, na época da colheita, que vai sendo quase todo o ano, depende do que é próprio de cada estação, distribuímos alguns produtos alimentares por várias famílias cá da cidade. Famílias não referenciadas, nossos vizinhos e até amigos. Devido à crise de emprego, os filhos voltaram a casa dos pais, alguns já casados e também eles com filhos...

Na aldeia, desconhecemos essa necessidade, as pessoas convivem mais de perto e entreajudam-se. São costumes e tradições de louvar. 

 

 

 *alguns registos do meu arquivo ;)

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27
Set18

Hoje e amanhã, tanto a acontecer

Mariali

A preparar o coração para hoje. 

Atarantado, sim,

por não ordenar prioridades.

Há os que vivem e os que já morreram.

Há os doentes.

Há o 1º. aniversário da morte... 

De mansinho,

logo, tudo ganhou ordem,

porque surge mais uma partida.

A minha comadre.

Madrinha da minha filha mais velha.

e eu madrinha de sua filha.

Minha parceira de risadas, passeios, profissão.

Amizade.

 

Agora, é tua a prioridade. 

Visitarei os doentes,

meditarei pelo 1º. aniversário 

mas acompanhar-te-ei até onde me for possível.

Hoje e amanhã,

tanto a acontecer.

Ganhar, perder, celebrar, visitar.

Vencer.

 

 

 

 

25
Set18

As palavras também são como as cerejas

Mariali

Nada de importante. Nada que apeteça e valha a pena partilhar. A escrita das palavras fica tão vazia!!!...

O mês de Setembro quase a terminar, vagaroso... E eu continuo igual a ele, ao Setembro, lenta, e, também, ocupada, receosa...

Já é Outono, e de novo sinto esperança... A tal que eu não gosto nada de sentir. Não é culpa do Outono, mas da vontade que tenho em que tudo se resolva por bem... Tento apoiar do jeito que sei e posso. Ajuda-me a repensar a vida e as fragilidades próprias de cada um. Mas cada pessoa tem a responsabilidade de se cuidar para que não sobre sofrimento para os outros.

Só temos uma vida. Acredito. E há que aproveitar. Coisas boas e más, quem as não tem? Pois... Até reinventámo-las.

 

A minha filha mais velha está por cá. Anda stressada pelo corropio de visitas e afins de que somos constantemente invadidos ou requisitados. Quase sempre do meu lado familiar.

Sempre diziam tão bem dos elementos da minha árvore, mas começaram a mudar de opinião. Que somos uns mimalhinhos, comparados com a família do lado do pai.

Eu sei que não é verdade. Somos mais intensos, mais humorados e somos mais!... Só isso.

Andando eu alerta, devido a certos acontecimentos, há pouco tempo, passou-se o seguinte: o meu telefone tocou três noites seguidas, a horas pouco convenientes. De todas as vezes foi engano.  A 1ª. vez, fiquei super aflita. A 2ª., agradeci por ser engano, a 3ª., idem... idem... 

Logo, a culpa foi toda minha... Porque andava tão preocupada e ansiosa que até atraí todos esses telefonemas... Segundo elas (as filhas).

 

Citando Saramago:

"As palavras são boas. As palavras são más. As palavras ofendem.  As palavras pedem desculpa. As palavras queimam. As palavras acariciam..."

    ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...... ... ... ... ... 

 

E eu acrescento: as palavras também são como as cerejas.

 

23
Nov17

À procura de um sinal

Mariali

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E porque sim, por achar deslumbrante esta foto, pela beleza e seu significado, resolvi escolhê-la para participar no desafio paisagens de 2017. 

Foi naquele fim de tarde, no início do Outono, que caminhei mais uma vez, na marginal entre Vila do Conde e Póvoa de Varzim, à procura de um outro sinal, sobrenatural, lá, para além das nuvens, junto ao horizonte.

Aconteceu um anoitecer do tamanho do céu e do mar, de encher a alma, por conter tanta magia. Era em tons coloridos de azul cinza, laranja e prateado. Mas, para além de tudo isso, apesar de observar atentamente, não vi o que tanto pretendia. Talvez, em outro dia, em outro entardecer...

 

09
Nov17

Até um dia Lisboa...

Mariali

A viagem mais recente foi a Lisboa. Entre amigas, por lá andámos. Como éramos quatro, quando nos deslocávamos para pontos mais distantes, usávamos o taxi. O preço compensava.

O alojamento saiu-nos barato e muito agradável para o nosso repouso noturno. Visitámos o Museu MAAT. Comemos o pastelinho de Belém e visitámos o Mosteiro dos Jerónimos. Ao Castelo de S. Jorge, a viagem foi feita de eléctrico, depois descemos a pé. O Bairro Alto à noite. O Príncipe Real, o jardim e cafezinho na esplanada, as lojas e a casa Pau Brasil. A Avenida da Liberdade. O Chiado. A Praça do Comércio...

O tempo esteve bastante húmido. Os cabelos, os mais ondulados, arrepiaram, mas não deixámo-nos de fotografar ... Fotos e mais fotos. Tudo acabou bem. Até um dia, Lisboa.

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25
Out17

Se dormires comigo até ser grande, dou-te umas meias

Mariali

Há dias da semana que nunca mais serão os mesmos. Por exemplo: as terças e as quartas.

Quatro semanas já passaram. Quatro terças e quatro quartas-feiras... Ainda me parece impossível.

Nessa terça-feira, estive toda a tarde no hospital a fazer-lhe companhia. Não arranjava posição e custava-lhe mexer as pernas. Apenas os braços gesticulavam. Estavam longos e suas mãos eram lindas. Deitou-se de lado, tocou minhas mãos, e assim estivemos uns momentos. Beijei-as e acariciei-as. Sorria para ele, fazia de conta que tudo iria ficar bem. Todos os ossos bem visíveis sobressaíam, em relevo, só a camada de pele os cobria, os olhos fundos, mas bonitos e meigos... Pediu lenços de papel e água, com lucidez e bem desenrascado, como sempre fora. Depois, a enfermeira aproximou-se, era jovem, séria e antipática, injectou-o e foi-se, e ele não mais foi o mesmo. Olhar distante, vazio, parecia nem saber que ali estávamos.

Eu não sabia que aqueles momentos de troca de carinho, seriam os últimos. 

No dia seguinte, preparava-me para ir ao hospital, de manhã, mas a notícia chegou. Morreu.

Culpei a enfermeira, os médicos. E eu não estive lá, para o ajudar a molhar os lábios, dar-lhe os lenços, mudar-lhe a posição das pernas... Mataram-no, era só o que conseguia dizer.

Há muito tempo, quando eu saí de casa para estudar no 1º. ciclo, ele teria uns 3 anos. Durante quase uma semana, não conseguia dormir e chorava, pois, estava habituado a ser o meu companheiro de quarto. Quando acalmou e aceitou aquela mudança, dizia a meus pais e irmãos que, se eu dormisse com ele até ser grande, me daria umas meias.

Foi difícil ver meu pai partir. Foi difícil ver minha mãe partir. Agora, um dos meus irmãos, dos mais novos, o que cuidou de minha mãe, devido à doença de alzheimer, até ao último momento, está ser a fase mais difícil da minha vida. Eu sei que tudo acaba, mas por favor, fazei-me mais capaz, mais preparada para enfrentar estes momentos.

 

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