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TUDO AVULSO

Acontece-me... Por inspiração... transpiração... ou porque me apetece...

TUDO AVULSO

Acontece-me... Por inspiração... transpiração... ou porque me apetece...

12
Nov19

Sem castanhas, nem vinho....

Mariali

No domingo, véspera de S. Martinho, subentendia-se que poderíamos pré-festejar comendo castanhas. Mas não, na verdade não se proporcionou. Festejos de dois aniversários, com tudo o que faz parte, e muito pessoal, jovens e menos jovens, muitas conversas, risos... Muito.

Eu chegara de Budapeste no sábado, perto da meia-noite. Cansada. Então, não deveria estar a fazer frete?!...

Entre os meus, em local onde se encontram minhas origens/raízes, sonhos, memórias... E, quando assim acontece, a energia não se esgota.

Quanto ao vinho, não faltou, eu é que não provei. Ainda de ressaca, por causa da viagem, claro ;)

 

Lá, mais abaixo, perto do pequeno rio, alguns registos.

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30
Out19

Coisas da Natureza

Mariali

Fim de semana a apanhar algumas castanhas, abrindo ouriços, picando os dedos... Entre ouriços de castanhas perdidas, um grande ouriço abria e fechava dois buraquinhos, os olhos, tão discreto que, se não fosse o meu "armazenamento em memória" desde o tempo de criança, não o reconheceria-  o ouriço-cacheiro. Permaneceu tão imobilizado que seria difícil apercebermo-nos dele.

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Mais perto de casa, entre uma trepadeira e outras plantas de jardim, num tronco apodrecido, uma "montra" de pãezinhos de leite e de alfarroba.

Parece. :))

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Desloco-me mais uns metros e visualizo umas florzinhas também elas guardadas na caixinha da memória . Tão lindas e subtis...

Não usamos herbicidas, talvez a razão de ainda existirem.

Nome?- Não sei.

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Claro que não poderia deixar de encontrar os santieiros (cogumelos, frades...) . Bem, não fui eu que os encontrei, essa perícia nunca existiu em mim. Mas cozinhei-os e saboreámos o petisco, também ele elaborado como nos tempos de criança.

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A atenção depressa se dispersa, e já me ia esquecendo dos medronheiros que foram transplantados neste local. Na altura, foi uma aventura. É um planta protegida e foi complicado transportá-la desde a minha terra natal, aonde tínhamos várias nos terrenos perto do rio, para esta, que é a do meu M. As plantas não aceitaram a mudança, foram dadas como mortas, as folhas caíram, os ramos desnudaram-se... Eu não queria acreditar. ..

Mas uma excelente poda e, sempre, bem regadas com muito carinho, sobreviveram e estão carregadas de frutos.

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E um verdadeiro arranjo campestre que eu adoro. Em 30 segundos ficou pronto e transportei-o para cá, para a cidade onde moro, feito com arbustos e abóboras lá do local.

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06
Nov18

Memórias- Para sempre Sophia

Mariali

 

Inventei a dança para me disfarçar.

Ébria de solidão eu quis viver.

E cobri de gestos a nudez da minha alma

Porque eu era semelhante às paisagens esperando

E ninguém me podia entender.

 

Sophia de Mello Breyner Andreson, in Coral, 1950

 

Foi a primeira mulher portuguesa a receber o mais importante galardão literário da língua portuguesa, Prémio Camões, em 1999.

 

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02
Nov18

Outras serras, outro entardecer

Mariali

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Nem sempre o que parece é. À primeira vista, parece ver-se o reflexo do sol a esconder-se no mar... Até pode haver interferência, mas os tons azulados que vislumbramos ao fundo, é o conjunto de ténues montanhas que se estende para lá de tudo, parecendo unir-se ao friso alaranjado do céu.

Na autoestrada, entre Terras de Basto e Fafe, na serra da Lameira, já anoitecia.

Com o carro em andamento, usufruímos do espectáculo.

E assim ficou o registo de mais um entardecer.

 

31
Out18

Olhando coisas simples assim

Mariali

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Um dia, fizeram a viagem da minha terra natal para este local, que era um pinhal, e que deixara de o ser.

As árvores (pinheiros) foram cortadas para que este espaço junto à nova casa/alpendre ficasse limpo, por causa dos incêndios e também para efectuar algum dinheirito.

Entretanto, nasceram, espontaneamente, um grupo de pinheirinhos bem ordenado, mais alguns carvalhos, castanheiros, giestas... E nós plantámos uma aveleira, mais carvalhos, azevinhos, um cedro, uma palmeira e dois medronheiros, os tais que viajaram da minha terra natal para este local. 

Já lá vão cinco, seis anos, talvez, eis um dos medronheiros e um cacho de medronhos.

 

Há histórias de vida tão simples a acontecer, e que nos deixam felizes, só precisamos de saber valorizar.

 

04
Out18

Em Outubro sê prudente (qb)

Mariali

No campo, por vezes, acontece um misto de tudo o que nos faz bem.

Beleza, envolvimento, prazer, satisfação. Não estivesse o campo mais ligado à vida, à realidade e simplicidade das coisas...

O céu como abrigo, noite e dia, cintilante e silencioso.

Mas desengane-se quem pensa que é só relaxar. Há sempre muito trabalho a fazer e a organizar. 

 

Lá diz o ditado, em Outubro sê prudente: guarda pão, guarda semente.

 

No nosso tempo, a oferta de mercado é tanta que já não necessitamos de ser assim tão prudentes. Por uma questão de economia e não gostando de desperdiçar aqueles produtos que têm menor durabilidade, dediquei-me a fazer compotas, concentrado de tomate e alguns congelados.

O resto está sendo guardado, naturalmente, de modo a conservar o máximo de tempo para ir sendo utilizado até às próximas colheitas...

 

Também é delicioso sentir estes sabores do campo pairarem pela cidade.

Devido ao post da Samantha, quero acrescentar. Principalmente, na época da colheita, que vai sendo quase todo o ano, depende do que é próprio de cada estação, distribuímos alguns produtos alimentares por várias famílias cá da cidade. Famílias não referenciadas, nossos vizinhos e até amigos. Devido à crise de emprego, os filhos voltaram a casa dos pais, alguns já casados e também eles com filhos...

Na aldeia, desconhecemos essa necessidade, as pessoas convivem mais de perto e entreajudam-se. São costumes e tradições de louvar. 

 

 

 *alguns registos do meu arquivo ;)

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27
Set18

Hoje e amanhã, tanto a acontecer

Mariali

A preparar o coração para hoje. 

Atarantado, sim,

por não ordenar prioridades.

Há os que vivem e os que já morreram.

Há os doentes.

Há o 1º. aniversário da morte... 

De mansinho,

logo, tudo ganhou ordem,

porque surge mais uma partida.

A minha comadre.

Madrinha da minha filha mais velha.

e eu madrinha de sua filha.

Minha parceira de risadas, passeios, profissão.

Amizade.

 

Agora, é tua a prioridade. 

Visitarei os doentes,

meditarei pelo 1º. aniversário 

mas acompanhar-te-ei até onde me for possível.

Hoje e amanhã,

tanto a acontecer.

Ganhar, perder, celebrar, visitar.

Vencer.

 

 

 

 

25
Set18

As palavras também são como as cerejas

Mariali

Nada de importante. Nada que apeteça e valha a pena partilhar. A escrita das palavras fica tão vazia!!!...

O mês de Setembro quase a terminar, vagaroso... E eu continuo igual a ele, ao Setembro, lenta, e, também, ocupada, receosa...

Já é Outono, e de novo sinto esperança... A tal que eu não gosto nada de sentir. Não é culpa do Outono, mas da vontade que tenho em que tudo se resolva por bem... Tento apoiar do jeito que sei e posso. Ajuda-me a repensar a vida e as fragilidades próprias de cada um. Mas cada pessoa tem a responsabilidade de se cuidar para que não sobre sofrimento para os outros.

Só temos uma vida. Acredito. E há que aproveitar. Coisas boas e más, quem as não tem? Pois... Até reinventámo-las.

 

A minha filha mais velha está por cá. Anda stressada pelo corropio de visitas e afins de que somos constantemente invadidos ou requisitados. Quase sempre do meu lado familiar.

Sempre diziam tão bem dos elementos da minha árvore, mas começaram a mudar de opinião. Que somos uns mimalhinhos, comparados com a família do lado do pai.

Eu sei que não é verdade. Somos mais intensos, mais humorados e somos mais!... Só isso.

Andando eu alerta, devido a certos acontecimentos, há pouco tempo, passou-se o seguinte: o meu telefone tocou três noites seguidas, a horas pouco convenientes. De todas as vezes foi engano.  A 1ª. vez, fiquei super aflita. A 2ª., agradeci por ser engano, a 3ª., idem... idem... 

Logo, a culpa foi toda minha... Porque andava tão preocupada e ansiosa que até atraí todos esses telefonemas... Segundo elas (as filhas).

 

Citando Saramago:

"As palavras são boas. As palavras são más. As palavras ofendem.  As palavras pedem desculpa. As palavras queimam. As palavras acariciam..."

    ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...... ... ... ... ... 

 

E eu acrescento: as palavras também são como as cerejas.

 

23
Nov17

À procura de um sinal

Mariali

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E porque sim, por achar deslumbrante esta foto, pela beleza e seu significado, resolvi escolhê-la para participar no desafio paisagens de 2017. 

Foi naquele fim de tarde, no início do Outono, que caminhei mais uma vez, na marginal entre Vila do Conde e Póvoa de Varzim, à procura de um outro sinal, sobrenatural, lá, para além das nuvens, junto ao horizonte.

Aconteceu um anoitecer do tamanho do céu e do mar, de encher a alma, por conter tanta magia. Era em tons coloridos de azul cinza, laranja e prateado. Mas, para além de tudo isso, apesar de observar atentamente, não vi o que tanto pretendia. Talvez, em outro dia, em outro entardecer...

 

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