Vive-se o Setembro à beira-mar, a norte. Dias lindos de sol, as praias cheias de areal desnudado, uma brisa a lembrar-nos que caminhamos a passos largos para o Outono. Há silêncios.
Aproxima-se mais uma data e tantas recordações... É o tempo/vida a acontecer.
Bem-vindo meu querido mês de Março. Mês de tantos começos e recomeços. Já há muito à tua espera. Como vês, vestimo-nos para te receber. Que sejas leve, que tragas a paz, e que muitos e bons sonhos se concretizem.
Registando elevações ou depressões com seus rios ou afluentes que umas vezes transbordam, outras, parecem ressequidos e/ou cansados de intempéries...
Não há pressa em avistar o mar. Não há pressa que o sol brilhe, nem que a lua, iluminada por ele, surja no seu bailado feiticeiro.
Assim vai a história construindo-se de pequeníssimas estorietas, reparo. Parece que o sonho partiu e quer abalroar-nos de vazio ou absorver-nos em poeira. Cegando-nos, devagarinho e querendo-nos emburrecer, perdemo-nos do ideal de cada vida nossa.
Qual ideal???...
Quero sacudir-me... Se puder, deixar-me ser! Como Exemplo, como Maior, como Mãe, como Humano.
Entusiasmar por pequeninos acontecimentos, sorrir até os cantos da boca me doerem, fazer projectos, e, se puder, cumpri-los...
Viajar, abraçar gente que gosto, sem precisar de dizer que a amo.
Correr avançando degraus. Sentir-me num corpo sem idade.
Não precisar explicar com palavras o que canta o coração, mas, e, se puder, compreendê-lo.
No domingo, véspera de S. Martinho, subentendia-se que poderíamos pré-festejar comendo castanhas. Mas não, na verdade não se proporcionou. Festejos de dois aniversários, com tudo o que faz parte, e muito pessoal, jovens e menos jovens, muitas conversas, risos... Muito.
Eu chegara de Budapeste no sábado, perto da meia-noite. Cansada. Então, não deveria estar a fazer frete?!...
Entre os meus, em local onde se encontram minhas origens/raízes, sonhos, memórias... E, quando assim acontece, a energia não se esgota.
Quanto ao vinho, não faltou, eu é que não provei. Ainda de ressaca, por causa da viagem, claro ;)
Lá, mais abaixo, perto do pequeno rio, alguns registos.
Em primeiro de tudo, quero dizer que, hoje, sonhei com o meu pai...
Muito raro sonhar. Não o reconhecia como um bom pai, principalmente, durante todo o meu crescimento até ao tempo que mudei de estado civil. Depois, fui mãe, uma, duas vezes e, pouco depois, ele adoecia e ficava com sequelas para o resto de sua curta vida.
Aos poucos, fui reconhecendo que ser pai "destes" seus filhos, não foi nada fácil...
Mês de Março. Mês de comemorações: Dia do Pai e seu Aniversário.
Então, depois das duas viagens por Marrocos, depois da aula de Filosofia prática, sobre o Egipto- A análise do Papiro de ANI- "o peso do coração do morto", e depois de ter tratado das lides domésticas... Adormeci, vagueei...
O chilrear dos pássaros, o barulho dos carros, as vozes ao longe... Um aperto no peito, o coração.
Acontecia o despertar, melhor, o adormecer. Lento...
Uma enorme tela pendurada, não sei se em uma parede, se no meio do nada, suspensa. Reconheci, de imediato, que era o Papiro de Ani. Num plano mais abaixo, alguns elementos moviam-se, uns estavam agitados, outros mais concentrados. Aí, vi o meu pai. Os deuses, os olhos da mente, (egoísta e pura) os braços da balança, a pena e o coração, cada um em seu prato. Senti-me angustiada! Estavam a pesar o coração de meu pai...
Desvalorizava e até tinha a ideia que era doença para criança. Apanhei o virus e já lá vão 3 semanas, com direito a 3 consultas, gotas e gotinhas, mais cremes e pomadas... Agora já sei o que é uma conjuntivite a sério.
Estou na recta final, ainda medicada. Terei nova consulta, para exame completo aos olhos, sabe-se lá os efeitos na visão, "diz- que".
Sempre que insistia na leitura, o estado clínico agravava-se...
Um outro "problema", que, agora, vejo transformado em óptima resolução, foi habituar-me a não "pentear" as pestanas (rímel).
Conhecem Bhagavad Gita?
Emprestaram-me o livro, e, evidente, não pude iniciar a leitura. A curiosidade levou-me a ouvir vídeos. Houve essa necessidade, uma vez que tinha iniciado uma formação "Conhece-te a timesmo", que é a máxima do Curso de Filosofia Prática. Uma viagem às principais ideias filosóficas do Oriente e Ocidente.
No Facebook , reparei na publicidade sobre esta formação, encaminhei-a para as minhas filhas. Elas devolveram-me, dizendo que seria óptima para mim.
Os filhos crescem e sentem que os pais precisam de evoluir (interiormente). Será?!... A sério?!... E por que não?!... De uma boa reflexão quem não está necessitado...
Então, à 6-ª, ao fim do dia, durante 3 meses. O grupo é quase todo jovem, eu serei a mais velha.
Sei que devo ser humilde. Mas não saí de casa, como agora os jovens, quando vão frequentar o ensino superior, mas saí para frequentar o 2º ciclo. Logo, o convívio em família, passou a ser nas férias de Natal, Páscoa e no Verão.
Os novos amigos, as diferenças culturais, o meio citadino, residir longe dos pais e outros familiares foram impostos, assim, desde muito cedo. E não havia como fugir dos problemas que iam surgindo a cada instante. Resolvia, contornava, ou sei lá... Crescia.
Os anos passaram. O curso terminado. O emprego. O casamento...
E a casa, o sítio onde nasci, os pais e outros familiares... Uns, permanecem. Outros, mudaram-se como eu. E há os que partiram para sempre.
Ouve-se muitas vezes dizer que os filhos só compreendem os pais quando também o são. Para mim, é uma grande verdade. Aconteceu comigo.
Pois, agora é a minha vez, vou esperar, nunca desesperar e, (não sentada), ver se um dia acontece...
Mas tudo bem. Um desabafo. Tenho de reconhecer que minhas filhas são as melhores do mundo.